A cirurgia de HIPEC, sigla para Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica, é um tratamento avançado utilizado em casos selecionados de tumores que se disseminam pelo peritônio. Esse procedimento combina uma cirurgia extensa com a aplicação direta de quimioterapia aquecida dentro da cavidade abdominal. Embora complexa, a técnica permite atingir células cancerígenas que não podem ser vistas a olho nu, aumentando as chances de controle da doença. Para compreender como ela funciona, é importante conhecer cada etapa do processo.
A cirurgia começa com a abertura da cavidade abdominal por meio de uma incisão que permite ao cirurgião visualizar e acessar o peritônio e os órgãos internos. Essa fase é chamada de cirurgia citorredutora e tem como objetivo remover todo o tumor visível, além das áreas do peritônio que foram afetadas pelo câncer. Em muitos casos, o câncer se espalha de forma irregular e atinge diferentes regiões da cavidade abdominal.
Por isso, a citorredução pode exigir a retirada de múltiplos tecidos ou mesmo partes de órgãos, como segmentos do intestino, baço, vesícula ou porções do estômago, dependendo da extensão da doença. Esse processo é minucioso e detalhado, pois quanto mais completa for a remoção do tumor visível, maior será a eficácia da etapa de quimioterapia aquecida.
Após a remoção de todo o tumor identificável, a cavidade abdominal é cuidadosamente lavada com solução salina para reduzir a presença de resíduos celulares e preparar o organismo para a próxima etapa. Em seguida, são inseridos cateteres especialmente posicionados no interior da cavidade. Esses cateteres são conectados a uma máquina de perfusão responsável por aquecer e circular a solução de quimioterapia.
O medicamento é aquecido a uma temperatura controlada que costuma variar entre 41°C e 43°C. O calor é uma parte essencial do processo, pois potencializa a ação dos quimioterápicos e auxilia na destruição de células cancerígenas microscópicas que permanecem após a citorredução.
Com a cavidade já preparada, a máquina inicia a perfusão da solução quimioterápica aquecida. Esse líquido circula pela cavidade abdominal por um período que normalmente dura de 30 a 90 minutos, podendo chegar a até 2 horas de acordo com o protocolo adotado ou com o tipo de câncer tratado.
Durante todo o processo, a equipe cirúrgica monitora cuidadosamente a temperatura, o fluxo do líquido e as condições clínicas do paciente, garantindo segurança e eficácia. A circulação contínua permite que o medicamento entre em contato direto com áreas onde o tumor poderia persistir, algo impossível de alcançar com quimioterapia sistêmica convencional.
Ao final do tempo programado, a solução quimioterápica é drenada completamente da cavidade abdominal. Os cateteres são retirados e o cirurgião realiza uma revisão final da região. Em seguida, a incisão abdominal é fechada e o paciente é encaminhado para a recuperação anestésica. A partir desse momento, inicia-se o período de monitoramento intensivo, pois essa é uma cirurgia de grande porte e exige atenção especializada nas primeiras horas e dias após o procedimento.
A combinação de citorredução e HIPEC representa uma das abordagens mais avançadas no tratamento de certos tipos de câncer abdominal. Embora complexa, ela oferece a possibilidade de tratar de forma localizada uma doença que, de outra maneira, seria difícil de controlar apenas com cirurgia ou quimioterapia isoladas. O objetivo é proporcionar maior tempo de sobrevida e, em alguns casos selecionados, até a chance de cura.
Por isso, o procedimento é sempre realizado em centros especializados e por equipes treinadas, garantindo que cada etapa seja conduzida com precisão e segurança.

